---No vazio do quarto, a saudade aperta o coração.
Não é necessário sentir o perfume dele, meu corpo
todo arde de desejo rememorando o tesão e o
prazer - neste leito, tantas foram as vezes que
as bocas arfaram, as línguas se consumiram, os sexos se
acoplaram. Um fogo interno me consome, a ausência
dele - faz o sexo da loba pulsar.
A alcova continua deserta...
Gemidos deixo escapar - o cheiro do cio que
se desprende da rosa rubra , a saudade dele
a me atiçar ainda mais o querer. 
Eis que de repente vejo na porta a figura do amado.
Não me faço de rogada - atiro-me em seus braços, ele
me aperta, parece que há séculos não me abraça.
E desta vez vou me entregar, quero mais uma
vez provar deste pecado, desta coisa louca que me
consome, bandida, amoral, que me faz quase perder os
sentidos. Juras de amor ...no ar sussurradas, enquanto
roupas são jogadas; algo flui dos sexos. Consistente,
transparente, gostoso. È um sugar um ao
outro...num saborear afoito - o membro rijo
e o ninho úmido em perfeito encaixe a
saciarmos com gula. Dois amantes,
em entrega sem limites, num voraz ritual,
que se comem, se consomem. O ventre
faminto e o falo uma rocha a querer se
metabolizar em uma só carne.
O mundo lá fora não existe mais. 
Homem e mulher a alçarem vôo juntos.
Arranho as costas dele de um jeito felina- e
quase estrangula a vulva faminta seu falo
ereto - dor e prazer alcançamos num só momento.
Poética Flor de Lis
