FOI AMOR?

Foi amor?
Acordei completamente envolta por um amanhecer azulado,
suspiro e agarro-me ao travesseiro - há um ar de silêncio entre
a promessa e o sonho. Fecho os olhos e sonho distante.
Ele ainda é paixão presente e sonhada a vida toda, parece que
agora tudo acabou -mas deve ter sido amor. 
Dentro e fora sou deserto - chorei todas as lágrimas. Um tempo houve
em que coração pulsava na esperança de ir em busca das ilhas bem
aventuradas do hedonismo.Foram horas incomparáveis de prazer...
Hoje só me resta relembrar entre uma e outra taça de vinho; o corpo
se entorpece a a dor angustiante do desejo D'ele.
E assim sigo pelos cotidianos que me restam, sou uma mulher presa de
doce embriaguez- não resistiria à solidão se não existisse o vinho acre,
rosado e límpido - que faz lembrar o sangue que corre em nossas veias.
Tu que me lês - o que pensas sobre o que te conto?
Que utilidade tem a solidão, seja leve ou seja profunda?
Certo momento ele dissera, quando eu chorando lhe pedira que voltasse
para mim:"Temos que ser objetivos, vivermos esse desejo e criarmos nosso
network de relacionamentos, é uma perda de tempo
elocubrações emocionais!"
Foi um caso apenas -sem sonhos e nem futuro.
Não quero apenas ser esposa (isso significa casa e marido - ou seja,
desejo sexual quase inexistente), mãe serei eternamente.
Vez ou outra, tive algumas dessas vontades, como fugidias tentativas
de ser "normal" e enquadrar-se no papel que a sociedade delineia
para a mulher.
Ele personagem tênue. Apenas vive. Criatura sem
consciência e fria de qualquer situação, um ser
perdido no mundo, que passa a vida vivendo
apenas o ar que respira, sem paixão
ou sonhos para futuro.
Ainda assim deve ter sido amor... 
Fátima Pessoa
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Escrito por Poética Flor de Lis às 10h55
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